Madalenas

December 15, 2015

         A penumbra cobre as ruas estreitas ainda que o dia se esforce em jogar claridade naqueles caminhos tortos. Mas os prédios altos escarnecem do esforço do dia - e a claridade chega ao solo em fracos suspiros de luz.

         A claridade frouxa é companheira de mulheres que caminham pelas ruas os passos lentos de uma oferecida sensualidade treinada.

         Às portas dos prédios altos, mulheres se mostram em cadenciados movimentos de nuas pernas expostas, a se equilibrarem com indecisão sobre os finos saltos de sandálias plenas de uma cumplicidade antiga.

         Homens passam, pisando passos sem interesse nos lentos passos a suas voltas. Mas há os que vacilam no caminhar, que olham em redor com a ansiedade de quem tem insegurança na escolha que está prestes a fazer. Enquanto caminham, examinam as mulheres em seus altares de sexo, sob a luz de lâmpadas colocadas sobre a porta.

         Quando se decide, o homem se encosta na parede, vagueia olhos pela rua, enquanto combina os detalhes e o valor, que farão com que o par de pernas saia da soleira e o conduza ao interior do prédio, entre meio sorriso forçado e um enlaçar de mãos carregado de uma intimidade subitamente conquistada.

         Assim como a claridade, os ruídos da cidade não vagam pelas ruas. Ouve-se o pigarrear nervoso de um homem que não consegue se decidir; o risinho agudo, cheio de ingenuidade, de uma mulher plena de experiência. Às vezes, há o alarido apressado de um menino, escapado de um dos prédios, numa improvável aparição da inocência, parida de inadvertido ventre.

         Todas essas mulheres são devotas da penumbra, agradecem esse véu que as torna mais lânguidas, mais misteriosas, véu que propaga sussurros de prazer nas vozes melosas com que chamam todos os seus homens de “querido”.

 

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