19 Sep 2016

         A tarde caminha como o momento de todos os momentos de quando os ponteiros dos relógios passam do meio-dia. Alinha-se num encavalar de minutos, a carregarem e semearem obrigações na naturalidade habitual dos dias vestidos com os banais trajes da rotina....

19 Sep 2016

        As rodas da cadeira mascam de forma imprecisa a terra no caminho com obstáculos do quintal: há pedras, montes de mato, buracos semeados pelo descuido.

         Param perto de uma jabuticabeira, abandonadas pelas mesmas mãos impacientes que transpo...

19 Sep 2016

         Quando a mulher disse que ia verificar se não haviam se esquecido de nada, o motorista do caminhão de mudanças nem ameaçou dizer que não havia necessidade: muitas vezes já vira essa desculpa para a despedida.

         A  mulher entra na casa...

5 Sep 2016

         A maneira com que ele tem fechado as portas, com trincos calmos, é como o hálito morno a sair de sua boca, no exalar da respiração enfastiada - a respiração de quem reclama de algo, ou reclama de tudo, no contido ar lentamente liberto entre lábios semicerrados...

5 Sep 2016

         Gostava de sentar-se numa cadeira, que a avó mantinha no quarto, e vê-la escovar os cabelos. Passava a escova como se ainda houvesse muita onda para seu barco negociar, numa lentidão de maré a se encher, quando, em verdade, os atropelos de águas da vazante já...

5 Sep 2016

         Puxa o ar duas, três vezes: “está feito…”, diz quase pausando em cada sílaba, as duas palavras saindo numa pastosidade a lhes marcar a concretude da convicção.

         O homem a sua frente lhe pergunta o que é que está feito. Deve ser a qua...

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